Com declaração, Bolsonaro busca respaldo nas Forças Armadas para reagir ao STF - SAJ PUBLICIDADE

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segunda-feira, 4 de maio de 2020

Com declaração, Bolsonaro busca respaldo nas Forças Armadas para reagir ao STF


Irritado com o acúmulo de derrotas que vem sofrendo no STF (Supremo Tribunal Federal), Jair Bolsonaro busca respaldo entre os militares para reagir ao Judiciário. E tem recebido sinais de apoio nos bastidores, sobretudo em relação às decisões do tribunal que interferem em medidas do governo.

Neste sábado (2), em encontro que não estava previsto na agenda do presidente, ele recebeu os chefes das três Forças Armadas e os generais que integram sua equipe ministerial.

A eles se queixou de estar com dificuldades para governar devido ao que ele chama de "constante interferência do Judiciário". Ele ameaçou fazer uma ruptura institucional, no sentindo de eventualmente descumprir determinações futuras da corte.
De acordo com militares ouvidos pela Folha de S.Paulo, as declarações feitas por Bolsonaro em ato deste domingo (3) transmitem essa mensagem.

"Tenho certeza de uma coisa, nós temos o povo ao nosso lado, nós temos as Forças Armadas ao lado do povo, pela lei, pela ordem, pela democracia, e pela liberdade. E o mais importante, temos Deus conosco", disse no Palácio do Planalto enquanto acenava para manifestantes que o apoiavam e criticavam o STF e o Congresso.

Ao final, o presidente disse: "Peço a Deus que não tenhamos problemas essa semana,. Chegamos no limite, não tem mais conversa, daqui pra frente, não só exigiremos, faremos cumprir a Constituição, ela será cumprida a qualquer preço, e ela tem dupla mão".
A ala fardada, embora costume atuar como "apagadora de incêndios" de atitudes mais extremadas de Bolsonaro, deu sinais de incômodo com decisões do Supremo.

Não há uma unanimidade, e o comandante do Exército, Edson Pujol, tem se mostrado refratário às atitudes do presidente.
Mas outros generais da alta cúpula ainda mantêm um maior alinhamento ao Planalto e têm maior proximidade com o antecessor de Pujol, general Eduardo Villas Bôas, conselheiro de Bolsonaro.

Nas últimas semanas, o tribunal conferiu uma série de derrotas ao Planalto, a maior delas a liminar do ministro Alexandre de Moraes que impediu que um amigo da família, o delegado Alexandre Ramagem, assumisse o comando da Polícia Federal.

Também incomodou o presidente a redução de prazo dada pelo ministro Celso de Mello, decano do STF, de 60 para 5 dias para que o ex-ministro da Justiça Sergio Moro fosse ouvido sobre acusações feitas contra Bolsonaro. O depoimento à Polícia Federal ocorreu neste sábado (2).

Militares endossam a visão do chefe do Poder Executivo de que há um exagero na corte e que as visões políticas de alguns ministros, como Celso de Mello, não podem comprometer suas decisões.

A ala fardada, diferentemente dos ideológicos, não fala que haja uma tentativa de golpe contra o Planalto, mas defende que o presidente tem de se posicionar diante dos acontecimentos.

Há um temor de que o tribunal imponha que o presidente mostre o resultado de seu exame para o novo coronavírus. Bolsonaro, que já realizou dois testes e teve diversos auxilares infectados, afirma não ter contraído a Covid-19, mas se recusa a mostrar os documentos.

A AGU (Advocacia-Geral da União) conseguiu prorrogar decisão judicial, impetrada pelo jornal O Estado de S. Paulo, para que o presidente apresentasse seus exames em até 48 horas.

Aliados do presidente defendem que, mesmo se houver determinação do Supremo, ele mantenha o sigilo sobre seu estado de saúde.
Neste sábado, Bolsonaro ficou especialmente irritado com uma decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do STF. O magistrado barrou a ordem do governo brasileiro para expulsar diplomatas venezuelanos aliados a Nicolás Maduro do Brasil.

No despacho, o ministro alegou o cenário de pandemia do novo coronavírus para justificar sua decisão, a partir de orientação da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Nesta semana, o Itamaraty enviou documento à embaixada e aos consulados venezuelanos no país e listou 34 funcionários que deveriam sair do país -junto com seus dependentes- até este sábado.

Pouco mais de uma hora depois de a decisão do ministro ser divulgada, Bolsonaro chamou ao Alvorada os ministros Fernando Azevedo (Defesa), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Augusto Heleno, (Gabinete de Segurança Institucional) e Walter Braga Netto (Casa Civil).

Além deles, estiveram presentes os comandantes da Marinha, almirante Ilques Barbosa Júnior; do Exército, general Edson Leal Pujol, e da Aeronáutica, tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez.

A Folha questionou a cúpula das três Forças Armadas sobre os motivos do encontro, a resposta foi unificada e transmitida pelo Ministério da Defesa, em nota.

"O ministro da Defesa, Fernando Azevedo, e os Comandantes de Forças se reuniram, neste sábado, com o Presidente da República, Jair Bolsonaro, para fazer uma avaliação do emprego das Forças Armadas na Operação de Combate ao Coronavírus, além de avaliação de aspectos da conjuntura", diz o texto.

Questionado, nem o Palácio do Planalto nem os militares deram detalhes sobre quais seriam as ações sobre o novo coronavírus
Bolsonaro, enquanto isso, tem mantido discurso contrário ao isolamento social e segue promovendo aglomerações.

No sábado, ele visitou duas cidades de Goiás, Cristalina e Alexânia, onde cumprimentou apoiadores e gerou tumulto. Neste domingo, ele foi ao Palácio do Planalto cumprimentar manifestantes que se aglomeraram em frente à Praça dos Três Poderes para demonstrar apoio à sua gestão.


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